Acessibilidade na Web, Arquitetura da Informação, Criatividade, Design, Estratégia, Gestão de Negócios, Inovação, Internet, Marketing, Sistemas de Informação, Tecnologia, Usabilidade, etc.
Podemos classificar qualidade como sendo a oferta de um determinado produto/serviço, com preço um acessível, que atende as necessidades e expectativas do consumidor e com bom atendimento, pré e, principalmente, pós venda.
Infelizmente não encontramos no Brasil uma significativa oferta de serviços com qualidade.
Concordo com o Sr. Alberto Saraiva, fundador do Habib`s, no Brasil, quando diz que: "A maioria dos comerciantes não completa esse elenco básico de virtudes necessárias à atividade. Quando têm um bom produto, não têm preço. Quando têm um ótimo preço, não têm um bom produto. Quando têm os dois, produto e preço, não tem atendimento."
Tente contar nos dedos nas mãos, empresas que no Brasil oferecem um serviço realmente de qualidade... Que tal com apenas uma das mãos? Ainda assim é uma tarefa difícil de ser cumprida, não é?
Isso porque ainda convivemos com o velho modelo feudal e que ainda está impregnando nossa cultura. Nos principais segmentos da economia, reinam absolutos, grandes e ricos monopólios. E onde não há monopólio, uma grande parcela dos empresários são adeptos da lei de Gerson e querem sempre levar vantagem em tudo.
Seja pelo monopólio ou pelo olho grande dos empresários, é cada vez mais comum ver consumidores insatisfeitos, seja pelo mal atendimento ou pelo produto de baixa qualidade. E não são poucas as vezes em que o serviço ruim, vem acompanhado do péssimo atendimento.
São poucas alternativas para o consumidor, ou eles param de usar um serviço ou recorrem a concorrência, que muitas vezes, não é uma boa alternativa.
É como trocar de operadora de telefonia celular, você pode até perceber melhora em alguns aspectos, mas no todo, irá notar que são todas iguais e niveladas por baixo.
Fidelizam clientes através de seus números proprietários e a oferta barata de novos modelos de celulares, sempre acompanhados de contratos com letras pequenas e planos de longa duração.
Mas como a demanda é ainda muito alta e não temos nenhum concorrente que tenha apresentado um modelo realmente inovador e com foco no cliente, teremos que conviver durante um bom tempo ainda com esse tipo de serviço.
Investem mais tempo e dinheiro na prospecção de novos clientes, do que na fidelização dos antigos. Dá até para imaginar a taxa de churn* nesse segmento.
(* Churm = percentual de clientes insatisfeitos que abandonam uma determinada empresa em busca de melhores serviços na concorrência)
Simplesmente não consigo entender como é possível um cliente novo, receber mais atenção, descontos e todo tipo de paparicos e promoções do que clientes de 4, 6 e 8 anos.
Mas entendo perfeitamente porque pouquíssimas empresas têm coragem de abrir um canal de comunicação direto com seus clientes, como um blog corporativo, por exemplo. Pois além de desconhecerem esses canais e suas possibilidades, não são doidos de se expor com tantos telhados de papel manteiga.
É a primeira vez que faço uma retrospectiva, talvez seja última, mas como o ano de 2007 foi bastante atípico, vou listar alguns momentos e acontecimentos, que pelo menos para mim, mereceram destaque:
31 de dezembro 2006:
Reveillon no hospital São Lucas em Copacabana.
Comecei o ano com meu pai mais para lá do que pra cá, mas depois de uma boa recauchutada e 4 pontes de safena no logo no primeiro dia do ano, ele ficou bem.
Apesar do sufoco que passamos, hoje vejo que foi um presente. Quem vive, quer qualidade de vida e foi isso que ele ganhou em 2007.
Uma fantástica virada de mesa da Nintendo para cima da Sony.
No final de 2006, com foco na satisfação do usuário a Nintendo apostou suas fichas na interatividade e lançou seu inovador, criativo e simples, mas não simplório WII e desbancou a líder Sony com seu PS3 e 7 processadores.
Conseguiu com uma só tacada ganhar a liderança do mercado de games e aproximar gerações, até então, distantes e separadas pela tecnologia.
Quando alguém poderia imaginar um vovô jogando videogame com seu neto? Isso com baixa curva de aprendizado e seguindo recomendações médicas.
Fevereiro
Banco do Brasil disse que iria investir 90 milhões de reais em acessibilidade entre 2007 e 2008. Como 2007 já passou e não vimos nada de substancial, vamos aguardar e torcer que apareça algo relevante em 2008. Só para constar, sou um otimista e acredito em Papai Noel e coelhinho da Páscoa.
Março
Acordo da Amazon.com com a NBF
A Amazon.com anunciou um acordo com a A NBF - National Federation of the Blind (Federação Nacional de Cegos) e prometeu que com ajuda desta entidade, tornaria seu site acessível até o dia 31 de dezembro de 2007. Deve ter acertado o dia, mas com certeza errou o ano.
Fui dar uma conferida e nada aconteceu. Nem o basicão eles fizeram, que seria ao menos colocar alternativos em texto nas imagens com links na sua página inicial.
Mas procurando na web, descobri que eles resolveram adiar o lançamento da nova versão para 30 de junho de 2008, isso em função da complexidade do sistema de e-commerce da Amazon.
Gostaria de ver a Amazon dando um belo exemplo, mas temo que o resultado seja mais um daqueles sites “acessíveis” apenas para deficientes visuais. Ou quem sabe, uma versão alternativa mais no estilo "txt" com baixa qualidade gráfica, afinal, cego não enxerga mesmo.
Bem, espero ser surpreendido... é aguardar até junho para ver.
Apresentei um workshop sobre Técnicas para Desenvolver um Portal Atrativo e de Fácil Navegação em São Paulo, na 8ª Conferência sobre Portais Corporativos realizado pelo IBC – International Business Communications.
Curso Arquitetura da Informação
Ainda em São Paulo, fiz um curso de Arquitetura da Informação com o Guilhermo Reis. Indico o curso, mas o que superou as minhas expectativas foi o alto nível dos participantes. Fiz ótimos contatos e amigos, alguns reencontrei pela web, outros em eventos pelo Brasil.
Lançado em 2006, tive acesso a metodologia Getting Real (caindo na real) em 2007. Esse interessante conjunto de aforismos da empresa 37Signals literalmente me fez cair na real. Depois do seu lançamento, existem agora dois tipos de profissionais: os que caíram na real e os que ainda vivem nas trevas.
Abril
Revista iMasters.
iMasters lançou sua revista impressa com tiragem trimestral.
Comprei o número um e confesso que não gostei. Excesso de design para pouco conteúdo e com preço acima das revistas do gênero.
Faz tempo que não leio nem ouço nada a respeito, mas se ainda continuam com o mesmo estilo e modelo de negócios, temo pela continuidade da revista em 2008.
Maio
Lançamento do vídeo Acessibilidade na Web,: Custo ou Benefício?
Essa foi sem dúvida uma grande “bola dentro” da Acesso Digital.
Nós esperávamos uma boa aceitação do vídeo, mas não imaginamos que seria tão bem recebido e que iria influenciar tantos profissionais.
Esse filho, digo vídeo, já nos deu muitas alegrias e valeu cada centavo e hora de trabalho investida durante exatos 9 meses, entre sua concepção e lançamento.
É impressionante o poder do boca-boca via internet, ou como é chamado, “marketing viral”.
Recentemente publiquei as fotos do principal dia de gravação onde ficamos trancados por mais de 15 horas gravando sem sair de cima, a nossa visita e depois gravação na Funlar-Rio e também do lançamento do vídeo no Senac-Rio, em de maio de 2007.
Depois de 18 anos trabalhando em grandes empresas como CLT, saí em carreira solo como professor, consultor e sócio da Acesso Digital.
Apesar da melhoria na qualidade de vida, precisei de um tempo para me adaptar.
No início, sem horário certo, troquei a noite pelo dia e tive queda de produtividade e problemas de concentração. Com mudanças de hábito e muita disciplina, consegui encontrar o ponto de equilíbrio.
Esse foi um ano de crescimento e muitas lições aprendidas como solista, como por exemplo:
Plantar, semear e a aprender a esperar o momento da colheita;
Aprender que nem todas as sementes vão vingar;
Superar com bom-humor e criatividade as barreiras e dificuldades que surgem pelo caminho;
Saber que errar faz parte do scritp, mas que é preciso aprender com o erro;
Ter fôlego, mesmo que pequeno e um grande controle financeiro para sobreviver as vacas magras;
Ampliar sua rede de contatos;
Se juntar com as pessoas certas;
Apreender a dizer não;
Acreditar e investir em sonhos e idéias;
Identificar e trabalhar seus pontos fracos e fortes;
Saber manter a motivação, pois trabalhar com tesão faz toda a diferença.
No final da história, quando trabalhamos com prazer a segunda-feira é um dia tão legal quanto qualquer outro dia e é muito bom colher os bons frutos desse trabalho.
Gosto muito do supermercado Zona Sul, apesar do preço ser muitas vezes mais salgado do que em outros mercados, a qualidade dos produtos é excelente, assim como seu atendimento. Eles ainda têm uma pizza em forno a lenha que é um manjar dos deuses.
Esse mercado só é encontrado no Rio de Janeiro, em lugares nobres, nos bairros da zona sul, onde o poder aquisitivo é alto.
Apesar dessa qualidade no mundo real, o Site de comércio eletrônico do Zona Sul sempre foi inacessível, tanto para deficientes visuais quanto motores, mas apesar disso, minha amiga Lêda conseguia com muito custo, insistência e experiência, fazer suas compras por lá, mas levava no mínimo 2 horas, coisa que sua colega de trabalho fazia em apenas 20 minutos. Mas comprovando a existência da "Lei de Murphy", recentemente, lançaram uma nova versão do site e conseguiram piorar o que já era ruim.
Esse é um assunto muito sério, pois todos os supermercados virtuais têm sérios problemas de acessibilidade e ninguém precisa mais deles do que pessoas com deficiências visuais, motores, etc.
Mas o assunto desse post não é a versão eletrônica do Zona Sul e sim a sua loja real. Recebi em casa, no dia 23, alguns amigos e parceiros para uma confraternização. Gosto de fazer pizza, mas resolvi ter menos trabalho e comprar algumas semi-prontas para oferecer aos amigos.
Recentemente, fiquei muito feliz ao descobrir que eles disponibilizaram o cardápio da pizzaria em braille. Foi então que tive uma idéia, já que iria comprar as pizzas no Zona Sul e como a Lêda iria participar dessa festinha, resolvi pedir o cardapio em braile emprestado, para que ela pudesse escolher seu sabor preferido sem ajuda de ninguém.
Muito bem, foi aí que descobri que a versão em braille não estava atualizada, deram prioridade apenas para a versão gráfica, atendendo somente aos videntes. Assim como acontece na maioria dos sites que têm duas versões, uma para videntes e outra para "deficientes visuais", a prioridade de atualização é sempre para versão gráfica.
Mas a propaganda para inglês ver está lá, bem grande: "temos cardápio em braille".
Capa do jornal O Globo de 24 de dezembro: "quase 10 milhões já usam a internet para fazer compras... Só nesse natal, o comércio eletrônico movimentou mais de R$1 bilhão".
Mas o que deveria ser uma boa notícia para empresas e consumidores, infelizmente, acaba sendo mais um motivo de preocupação.
O aumento das vendas do e-commerce deveria sempre ser acompanhado de investimentos na mesma proporção, em melhoria contínua dos processos, logística, atendimento, tecnologia, etc., sempre objetivando oferecer serviços cada vez melhores e com qualidade suficiente para fidelizar os clientes, sejam eles novos ou antigos e, principalmente, manter a liderança e distância dos concorrentes.
Infelizmente no Brasil, essas coisas não andam juntas, pelo menos na mesma velocidade. Nossos empresários sempre são reativos a problemas, ao invés de pro ativos as oportunidades de mudança. Como disse o empresário português/brasileiro, Sr. Alberto Saraiva, dono e fundador do HABIB´s: o grande problema do empresário brasileiro é o olho grande. Quer sempre ganhar mais e gastando menos.
É sempre assim, quando a demanda aumenta, a qualidade do serviço despenca na mesma proporção. E nossos "inteligentes" gestores só resolvem investir em melhorias e mudanças significativas, quando a procura diminui, mas aí meus amigos, já é muito tarde. O queijo já estragou...
Voltando ao título desse post, meu irmão comprou no site das Lojas Americanas, dois presentes idênticos, uma para sua filha e outra para minha. A L.A. informou que a entrega seria entre os dias 20 e 23 de dezembro e que, para não haver problemas, deveria manter alguém em casa de plantão para receber a entrega. Chegou o final do dia 23 e nada. Quando entraram no site atrás de informações, tiveram uma grata surpresa, a data havia sido alterada para o dia 26 de dezembro.
Agora eu pergunto aos gestores dessa grandiosa loja: como explicar para duas meninas entre 4 e 5 anos, que o papai noel teve problemas e só vai entregar seus presentes depois do natal?
Não existe solução decente para tal pergunta e para tentar salvar o natal com um paliativo, correu para a primeira loja, claro que uma que não fosse das Lojas Americanas, para comprar algum presente que diminuísse a frustração das pequenas.
É claro que vai rolar um processinho básico, afinal, minha cunhada documentou detalhadamente cada um dos mais de 10 telefonemas que fez para o atendimento dessa conhecida e famosa loja. Mas infelizmente, não será um pequeno processo e uma "merrequinha" perdida, que fará que mudem de postura.
Quando será que vão aprender? Não é da minha natureza ser pessimista, mas acredito que essas empresas só vão mudar quando surgirem concorrentes a altura e já não tiverem mais clientes para perder, mas aí... já era!!!
"Ter vantagem competitiva é como ter um revólver em uma luta de facas." Anonimo
Só existe um caminho...através da inovação!!!
Segundo Marcos Cavalcanti - coordenador do Centro de Referência em Inteligência (Crie), da Coppe/UFRJ, em entrevista desse último domingo para o caderno Boa Chance, inovação é a capacidade de transformar idéias em produtos e serviços. De resolver problemas de uma forma nova, reduzindo custos ou criando riqueza. Mas inovar não é simples, é sempre um pouco arriscado, caro e também não é garantia de sucesso, afinal, segundo pesquisas, estima-se que de cada dez iniciativas de inovação, só duas ou três dão certo.
Se é muito arriscado, então o negócio é esperar o mercado criar novos produtos e, se eles derem certo, então benchmark neles... Não acho que seja uma estratégia muito inteligente copiar a concorrência, para dizer a verdade, considero uma estratégia Kamikazi, suicida.
Infelizmente é assim que pensam e fazem a grande maioria das empresas brasileiras. Uma pesquisa do Ipea, mostra que 98,3% das indústrias brasileiras não são inovadoras. Mas mostra também que esse 1,7% inovador é responsável por mais de 25% do faturamento de todas elas.
O problema é que, para inovar, é preciso primeiro mudar a cultura das empresas, seus colaboradores e, principalmente, de seus executivos. Destruir o mito que não deve-se mexer em time que está ganhando, afinal, o líder deve ser o primeiro a mudar se quiser continuar no topo.
Mas mudar cultura é sempre um processo lento e difícil, mas o único caminho para a inovação e o crescimento.
A empresa deve criar um ambiente onde todos possam perguntar e questionar o funcionamento dos processos, onde sejam estimulados a pensar e buscarem novas soluções para antigos e novos problemas.
Virada de mesa da empresa que manteve seu foco na simplicidade, criatividade e, principalmente, nos gostos e desejos de seus consumidores.
Na reportagem da revista Época de 22 de janeiro, descreve como a Nintendo com seu, simples e inovador Wii está ganhando a guerra sobre a Sony, líder do mercado de videogames nos últimos 10 anos, com seu poderoso Playstation 3.
O PS3 é o console mais poderoso do mundo com 7 processadores que apresentam gráficos impressionantes... ele saí nos EUA por 499,00 - 250,00 doletas a menos que o custo de seus sofisticados componentes, diz a Sony, que espera recuperar o prejuízo do hardware com a venda de jogos.
O problema é que, apesar da alta definição das imagens, a primeira leva de jogos decepcionou os fãs pela falta de inovações e, para piorar, os programadores dizem que é difícil fazer jogos para o PS3.
Estratégia bem diferente teve a Nintendo com o seu novo lançamento, o Wii. Baseou-se na inovação e facilidade de uso de seu novo console, para retornar a liderança desse segmento, depois de 10 longos anos.
Com o foco em seus consumidores, percebeu que eles estavam mais interessados em jogos criativos do que por games com gráficos complexos e difíceis de usar.
O Wii vem com um Joystick que lembra um controle remoto de TV com um sensor de movimentos que permite que o jogador dê um soco no ar e seu personagem, no game, faça o mesmo.
A Sony chorou e disse que o Wii está vendendo mais – em torno de 750 mil cópias mensais contra 450 mil do PS3 – porque o preço é a metade do seu console, mas os analistas discordam. “A vantagem da Nintendo foi inovar na direção que os consumidores estavam querendo”.
Na verdade não nem um pouco fã de games, mas bem que fiquei com uma baita vontade de experimentar o Wii.
Que tenha servido de lição para a Sony e tantas outras “grandes empresas”.
Fonte: A Sensibilidade venceu a força – Revista Época de 22 de janeiro de 2007.
Especialista em design, acessibilidade e usabilidade, tem 15 anos de experiência em sistemas de informação, 10 em Internet. Consultor e pesquisador da Acesso Digital, é editor do site Internativa, professor do curso de Análise de Sistemas da ESCM e da Pós-Graduação em Gestão em Marketing Digital da FACHA.
Mestrando em Informática pela Unirio.